6 maneiras de gamificar suas aulas de idiomas

Como já descrevemos aqui no blog, gamificar não é simplesmente usar jogos em sala de aula. E não há nada de errado com isso se tivermos sempre em mente os objetivos de aprendizagem dos nossos alunos. Mas, diferentemente da aprendizagem baseada em jogos (game-based learning), gamificar uma atividade, uma aula ou um programa inteiro requer inserir elementos de jogos em nossas aulas, sem necessariamente usarmos jogos.

Principalmente neste momento em que ainda estamos nos adaptando às aulas online e todas as plataformas e ferramentas disponíveis, a gamificação (gamification) pode ser uma grande aliada e gerar mais motivação e engajamento nos nossos alunos.

Como nada acontece do dia para a noite, idealmente, devemos ir inserindo aos poucos alguns destes elementos e validando com nossos alunos. É importantíssimo estarmos sempre abertos ao feedback de nossos alunos e irmos adaptando a estratégia ao longo do caminho.

Acha que vale a pena tentar gamificar uma atividade ou mesmo uma aula inteira? Aqui, alguns elementos importantes:

1. Definir os objetivos e conteúdos da aula. O que os seus alunos precisam aprender? Vocabulário? Termos para viagens? Pronúncia? Técnicas de negociação? Quando gamificamos uma atividade ou aula, o primeiro passo é determinar os conteúdos e objetivos principais da nossa aula. Ao aplicar elementos de jogos em nossa aula, podemos focar tanto na compreensão de um texto ou vídeo ou tópicos gramaticais, como também temos a oportunidade, em temas complexos, de desenvolver o senso de colaboração entre os alunos, assim como suas habilidades para lidar com situações inesperadas, tomar decisões e utilizar o senso crítico.

2. Conhecer os seus grupos / alunos. Para planejar, é essencial sabermos quem são nossos alunos – faixa etária, background cultural, gostos, passatempos, tópicos de interesse e, principalmente, como fazer os alunos utilizarem aquele conhecimento na prática. O perfil dos alunos, bem como o seu estilo de aprendizagem e competências também determinará se utilizaremos mais tarefas de colaboração, competição, resoluão de problemas, entre outras.

3. Criar Avatares ou Personagens. O que acha de criar personagens ou avatares com os seus alunos? Individualmente ou em grupos, personagens ou avatares podem ser o objeto de estudo em si (animais selvagens ou exóticos, insetos, pássaros) ou podem trazer habilidades a ser utilizadas em atividades com desafios (telepatia, teletransporte, invisibilidade etc.). Eles também podem criar os próprios avatares ao cumprirem missões dadas pelo professor.

4. Estabelecer um roteiro. Juntamente com as missões ou tarefas, o ideal é que os alunos sejam estimulados a seguir determinados roteiros ou instruções, mesmo que eventualmente consigam ter pistas e criar atalhos para chegarem ao seu objetivo mais rapidamente.

5. Criar uma mecânica de feedback e recompensas. Se para nós é claro que todos os jogos tem regras, é importante lembrar que elas precisam ser claras e objetivas para que todos os participantes as sigam corretamente. Se há algo que não queremos é que os alunos sintam que estão a perder com a experiência. Além disso, é preciso estabelecer os objetivos de cada etapa do jogo e os resultados esperados de cada ação. Por último , mas não menos importante, cada atividade precisa ter uma duração definida, assim como o número de conquistas – badges, pontos etc.

6. Brainstorm. Se estiver utilizando esta dinâmica com seus alunos pela primeira vez, logo após a experiência, eles ficarão bem curiosos. Aproveite esse momento para promover discussões e brainstormings, incentivando-os a criar novas tarefas ou chegar a novas conclusões de maneira colaborativa.

Outros elementos de gamificação podem envolver coleta de objetos, combate, desbloqueio de conteúdos, doações, placares, diferentes níveis de dificuldade, investigação ou exploração, bens ou objetos virtuais, entre outros.

Uma maneira de ajudar a gamificar atividades e aulas é utilizando a aula invertida (flipped lesson). Como o nome sugere, ao invés de serem expostos aos conteúdos em aula e praticarem sozinhos em casa, os alunos são motivados a explorar e investigar os conteúdos antes do momento da aula para que, então, possam praticar e tirar suas dúvidas na aula. Neste caso, os alunos também podem trazer elementos externos para aula, como objetos de casa ou informações coletadas num museu ou biblioteca.

Um fator interessante na gamificação é que não apenas podemos gamificar os conteúdos, como a estrutura da aula. Na gamificação estrutural, os elementos dos jogos estão na forma como conduzimos os jogadores pelo processo da atividade ou tarefa. Já na gamificação de conteúdos, a dinâmica é preparada para alterar a produção de conteúdo.

Imagine que esteja preparando uma aula sobre técnicas de negociação, um conteúdo que exige não apenas conhecimentos de língua, como de adequação e persuasão. Neste caso, podemos gamificar o conteúdo com instruções para que os envolvidos na negociação aceitem ou não um determinado valor ou situação, por exemplo. Por outro lado, se quisermos gamificar a aula, podemos simplesmente estrutrar as tarefas em diferentes fases e distribuir badges à medida que os players concluem suas tarefas.

Agora reflita, teacher, quais destes elementos teriam um efeito positivo nas suas aulas? Compartilhe sua experiência conosco e happy teaching!

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